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sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Mais ou mas?


Recebi uma mensagem eletrônica com a seguinte sentença:

“A despedida não é o fim de uma amizade, mais o começo de uma grande saudade.”


Quem escreveu essa sentença pela primeira vez, visto que ela aparece em diversos sites, confundiu mas, conjunção coordenativa adversativa, com mais, que corresponde a várias classes de palavras.

A conjunção mas equivale a porém, contudo, todavia, entretanto e serve para ligar ideias opostas. Exemplo:

Os alunos não estudaram para a prova, mas tiraram boas notas.

Já o mais pode corresponder às seguintes classes gramaticais:
a) advérbio, quando for antônimo de menos ou puder ser substituído por acima de ou antes;
b) substantivo, quando antecedido de artigo;
c) pronome, quando der ideia de maior quantidade ou puder ser substituído por outros;
d) preposição, quando puder ser substituído por com)
e) conjunção, quando der ideia de adição e, por essa razão, puder ser substituído pela conjunção coordenativa aditiva e.

Vejamos alguns exemplos de sua utilização:

Hoje, corrigi mais de 200 provas. (advérbio)

Preciso cuidar da saúde, o mais pode esperar. (substantivo)

Preciso de mais dinheiro para comprar minha casa. (pronome)

Ele mais a noiva viajarão no feriado. (preposição)

Dois mais dois são quatro. (conjunção)

Portanto, a forma correta da sentença que me foi enviada por e-mail é:

“A despedida não é o fim de uma amizade, mas o começo de uma grande saudade.”

Um abraço e até a próxima.
Sandra Helena

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

“Rapazes sem banheiro”?



Um colega viu uma placa com os seguintes dizeres:

"Aluga-se quartos para rapazes sem banheiro”.

Temos aí dois problemas: a falta de concordância e a ambiguidade. Aliás, é justamente a ambiguidade que a torna tão divertida. Rapazes sem banheiro?

Essa oração está na voz passiva sintética. A voz passiva pode apresentar-se na forma analítica ou sintética. Colocando essa oração na voz passiva analítica, temos:

Quartos são alugados para rapazes.

Nessa oração, o sujeito é quartos. O que são alugados? Quartos. Para rapazes é o objeto indireto. São alugados para quem? Para rapazes.

Para transformarmos a voz passiva analítica na voz passiva sintética, é muito simples: devemos desconsiderar o verbo auxiliar (ser/estar) e acrescentar ao verbo principal o pronome apassivador se. O verbo auxiliar servirá apenas para indicar o tempo/modo (são = presente do indicativo) e o número (são = plural) do verbo principal que constituirá a voz passiva sintética.

Portanto, para corrigirmos a falta de concordância do exemplo, basta colocarmos o verbo no plural, fazendo-o concordar com seu sujeito: Alugam-se quartos que equivale à forma passiva analítica Quartos são alugados.

Já a ambiguidade de rapazes sem banheiro seria perfeitamente evitada com o simples deslocamento da expressão sem banheiro. Se essa expressão vier imediatamente após a palavra quartos, a ambiguidade desaparecerá. Veja: 

Alugam-se quartos sem banheiros para rapazes.

Um abraço e até a próxima.

Sandra Helena

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Cujo ou no qual?


No jornal da Globo de 15/11, o presidente de um conselho de pesquisa disse o seguinte:

"São todos temas de pesquisa na qual a solução está diante de nosso olhos."

Mais uma vez o problema é o mau uso do pronome relativo que compromete a coesão da sentença. Nesse caso, o autor da frase deveria ter usado o cuja e não o na qual, porque este faz referência ao termo antecedente, e aquele faz referência ao termo consequente, ou seja, ao termo que vem imediatamente depois dele. Como esses dois pronomes relativos são excludentes, quando se usa um, não se pode usar o outro.

O cujo (ou cuja) deve ser usado sempre que houver uma ideia de posse. No exemplo, há essa ideia de posse, pois a sentença se refere à solução da pesquisa. A preposição da indica o possuidor (da pesquisa) e a coisa possída (solução). 

Além de indicar posse, o cujo precisa ter antecedente e consequente diferentes e jamais deve ser seguido de artigo definido (o(s), a(s)), porque já traz esse artigo (cujo, cuja) dentro de si.

Um abraço e até a próxima.
Sandra Helena

domingo, 6 de novembro de 2011

Onde ou aonde?


Qual é a diferença entre onde e aonde? A diferença é a seguinte: o onde, além de pronome relativo, pode ser um advérbio interrogativo usado em interrogações diretas ou indiretas. Exemplos:

Onde é a saída? (interrogativa direta)
 Gostaria de saber onde ficarei hospedada. (interrogativa indireta)

Já o aonde, embora também seja um advérbio de lugar, equivale a expressão para onde e deve vir acompanhado de um verbo de ação que indica movimento. Exemplo:

Aonde você vai?

Observe que é perfeitamente possível substituir o aonde por para onde:

Para onde você vai?

Mas, se retomarmos os dois primeiros exemplos  - Onde é a saída? e Gostaria de saber onde ficarei hospedada -, notamos que, nesses casos, não podemos substituir o onde por para onde, sob pena de comprometermos o sentido das duas orações. Observe como elas ficariam completamente sem sentido:

Para onde é a saída?
Gostaria de saber para onde ficarei hospedada.

Portanto, quando quisermos atribuir o sentido de para onde, devemos usar aonde e não onde.

Um abraço e até a próxima.
Sandra Helena