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quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Combinações pronominais


 
Veja o que ocorre nesta sentença, retirada do último romance de um escritor português contemporâneo:

“Escreveu um nome e um número no papel e estendeu-lho.”
Nela, ocorre o que denominamos combinação pronominal que nada mais é do que a fusão entre os dois pronomes oblíquos que substituem o objeto direto e indireto que complementam o verbo “estender”. Por ser bitransitivo, o verbo “estender” necessita dos dois objetos: do direto e do indireto, pois quem “estende, estende alguma coisa (objeto direto) a alguém (objeto indireto)”. O “lho” da sentença acima corresponde à combinação do pronome oblíquo (o), que substitui o objeto direto “papel”, e do pronome oblíquo (lhe), que substitui o objeto indireto “a ele”.

A língua portuguesa permite as seguintes combinações pronominais:

Me + o = mo (ma, mos, mas)
Te + o = to (ta, tos, tas)
Lhe + o = lho (lha, lhos, lhas)
Nos + o = no-lo (no-la, no-los, no-las)
Vos + o = vo-lo (vo-la, vo-los, vo-las)
Lhes + o = lho (lha, lhos, lhas)

Se, no entanto, o objeto direto ou o objeto indireto vier expresso na sentença, a combinação não poderá ocorrer. Retomando a sentença que nos serve de exemplo, teríamos as seguintes possibilidades:

1) “Escreveu um nome e um número no papel e estendeu-lhe o papel” – na qual o objeto indireto está na forma pronominal e o direto vem expresso. 

2) “Escreveu um nome e um número no papel e estendeu-o a ele” – na qual o objeto direto está na forma pronominal e o indireto vem expresso.

Como vemos, nenhuma das duas opções é tão boa quanto a escolhida pelo escritor português: na primeira, temos a repetição desnecessária do vocábulo “papel”, o qual até poderia ser substituído por um sinônimo, como “manuscrito”, mas tornaria a sentença mais prolixa; na segunda”, a posposição do pronome oblíquo “o” ao ditongo “eu” leva à junção de um ditongo e de duas vogais (“estendeu-o a ele”), comprometendo a eufonia e atrapalhando a compreensão.

Embora as combinações pronominais sejam mais comuns entre os portugueses do que entre nós, brasileiros, nada nos impede de também as empregarmos para tornar nosso texto mais conciso e erudito. 


Um abraço e até a próxima!
Sandra Helena




























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