Todos os direitos reservados. Proibida a reprodução.

Todo o conteúdo deste blog (incluindo textos e imagens) é de propriedade de sua autora e estão protegidos pela Lei de Direitos Autorais Nº 9.610 de 19 de fevereiro de 1998 e pelo Artigo 184 do Código Penal Brasileiro.

Agora é Lei - O Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa está em vigor desde 01/01/2016.
Para cursos "in company" sobre as alterações promovidas pelo Acordo Ortográfico, entre em contato pelo e-mail sandra.terciotti@gmail.com


quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

A coesão na oração do Pai Nosso


Já observaram que a versão traduzida do latim da oração do Pai Nosso contém um aparente problema de coesão?

No Evangelho de S. Mateus, capítulo 6, versículos de 9 a 13, encontramos a seguinte versão dessa oração:

“Pai nosso, que estais no céu, santificado seja o teu nome. Venha o teu reino. Seja feita a tua vontade, como no céu, assim na terra. Dá-nos hoje o pão necessário à nossa subsistência. E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores. E não nos deixeis cair em tentação. Mas livrai-nos do mal. Amém.”

Embora ela seja um pouco diferente da aprendida pela maioria de nós, apresenta, entre a última e a penúltima sentença, o mesmo suposto problema de coesão da versão mais usual. O problema consiste no uso do “mas” - cujo valor sintático-semântico é de oposição, razão pela qual é empregado entre orações coordenadas com ideias opostas (Fui à casa de minha amiga, mas não a encontrei lá) - com valor de adição. Notem que, nesse caso, o "mas" estabelece a coesão entre duas sentenças que não se opõem, mas sim se complementam, pois as duas coisas que se pedem são para não nos deixar cair em tentação e livrar-nos do mal

Mas isso é possível? Sim, isso é perfeitamente possível. Embora o valor sintático-semântico do “mas” seja adversativo (de oposição), ele pode, em determinados contextos, assumir um valor aditivo, tornando-se uma conjunção aditiva ou copulativa, como também é chamada. O inverso também é verdadeiro, ou seja, o “e” - cujo valor sintático-semântico é de adição, razão pela qual é empregado para ligar orações coordenadas com ideias complementares (Fui à casa de minha amiga, e a encontrei lá) - pode ser usado com valor de oposição. Exemplo:
Discutimos durante várias horas e não chegamos a conclusão alguma.
Portanto, ao contrário do que possa parecer, a oração do Pai Nosso, além de muito bonita, não apresenta qualquer problema de coesão.


Um abraço e até a próxima!

Sandra Helena

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Adicione seus comentários e/ou perguntas. Todos os comentários aqui postados são liberados após aprovação do moderador.