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domingo, 14 de junho de 2015

Informalidade excessiva na comunicação oral pode gerar problemas?

De uns tempos para cá, venho notando que os brasileiros, sobretudo os jovens e adolescentes, não sabem quais formas de tratamento empregar quando se comunicam oralmente com pessoas mais velhas ou que lhe são estranhas. A boa educação manda (e sempre mandou) que, diante de pessoas mais velhas, ou que nos são estranhas, ou com as quais não tenhamos qualquer intimidade, adotemos os pronomes de tratamento Senhor, Senhora e Senhorita (se mulher solteira). No entanto, é muito comum presenciarmos indivíduos que, diante de uma pessoa mais velha, começam a tratá-la de Senhor ou Senhora e, em seguida, passam a empregar pronomes de segunda pessoa (como “você”, “tu” e “seu/sua”) para se referirem a ela, desconsiderando por completo não só a idade e a experiência profissional e/ou acadêmica do Senhor ou da Senhora que tem diante de si, mas também o fato de que o interlocutor não lhes deu liberdade ou autorização para ser tratado de forma menos cerimoniosa.
 
Em uma sociedade globalizada como esta em que vivemos, essa atitude é extremamente perigosa, porque, além de poder ser interpretada como informalidade excessiva e até mesmo como falta de educação, pode ferir a suscetibilidade de nosso interlocutor, ocasionando inúmeros problemas e mal-entendidos, sobretudo em um contexto comunicacional mais formal, como o ambiente acadêmico ou empresarial.

Se o texto escrito formal habitualmente requer unidade em relação à pessoa do discurso escolhida e empregada pelo autor (geralmente, primeira ou terceira pessoa do singular ou do plural), a comunicação oral também demanda unidade, devendo haver coerência entre os pronomes de tratamento usados nesse tipo de comunicação. A despeito das diferenças existentes entre a comunicação escrita e a oral, sobretudo no que se refere à proximidade entre os interlocutores e à informalidade desta, devemos ter em mente que vivemos em um contexto global e que nos comunicamos com pessoas originárias de outras culturas nas quais a formalidade e o tratamento cerimonioso continuam sendo valorizados e empregados. Em Portugal, por exemplo, a menos que sejamos  autorizados por nosso interlocutor, não podemos usar o “tu” para nos dirigirmos a alguém, pois essa forma de tratamento pressupõe intimidade, devendo, por isso, ser reservada apenas a familiares e amigos mais chegados. Na França, o “toi”, equivalente ao nosso “tu”, é usado na comunicação com crianças ou entre familiares e amigos íntimos, do contrário deve-se usar “vous”, equivalente ao nosso “vós”. Na Alemanha, tal como em Portugal, o tratamento menos cerimonioso necessita de autorização do interlocutor. No ambiente acadêmico alemão, por exemplo, a formalidade é tanta que uma pessoa com dois doutorados é tratada pelo sobrenome precedido de Herr Professor Doktor Doktor. No Brasil, também deveria ser assim, ou seja, somente deveríamos substituir o tratamento cerimonioso pelo informal quando nosso interlocutor nos desse essa liberdade, do contrário, deveríamos continuar tratando-o de senhor, senhora ou senhorita, dependendo do caso.   

Se a informalidade muitas vezes nos favorece, não raro também pode nos prejudicar. Os canadenses, por exemplo, embora se identifiquem com nosso multiculturalismo, não veem com bons olhos nossa excessiva informalidade, bem como nossa dificuldade em respeitar hierarquias, sobretudo no contexto empresarial.

Por isso, fica a dica: na comunicação oral, é sempre preferível pecar pelo excesso de formalidade do que pela falta.

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