Você se lembra do que é mesóclise? É a colocação do pronome oblíquo
átono - o(s), a(s), lo(s), la(s), no(s), na(s) e lhe(s) - no meio do verbo. E a mesóclise só pode ocorrer com os dois futuros do
indicativo – futuro do presente e futuro do pretérito - , excetuando-se todos
as demais formas verbais. Além disso, ela deve ser usada apenas e tão somente na
escrita de textos formais, visto que seria impróprio seu uso na comunicação
oral.
Há duas condições que precisam existir para que a mesóclise ocorra: a) a
primeira é a presença dos dois futuros do indicativo; b) a segunda é que, se
não houver antes dessas duas formas verbais alguma partícula (palavra ou
expressão) que justifique o uso da próclise (colocação do pronome oblíquo átono
antes do verbo), em hipótese alguma o
pronome oblíquo poderá ser empregado em posição de ênclise (colocação do
pronome oblíquo átono depois do verbo). A despeito disso, em 05/12/2012, a
versão eletrônica de um importante jornal de São Paulo apresentava o seguinte
trecho:
“Depois, abriria-se um prazo para que quem se julgasse injustiçado por ter ficado de fora da universidade pudesse recorrer.”
Ora, abriria é futuro do
pretérito do indicativo do verbo abrir. Considerando-se:
a) que o verbo vem imediatamente após a vírgula e que não se usa
pronome oblíquo átono logo após a vírgula; b) que não há nenhuma palavra ou
expressão que chame a próclise; c) que não se pode usar ênclise com os dois
futuros do indicativo, não restaria a quem escreve outra alternativa a não ser o
uso da mesóclise. Portanto, o trecho deveria ficar assim:
“Depois, abrir-se-ia um prazo para que quem se julgasse injustiçado por ter ficado de fora da universidade pudesse recorrer.”
Um abraço e até a próxima.
Sandra Helena
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