Todos os direitos reservados. Proibida a reprodução.

Todo o conteúdo deste blog (incluindo textos e imagens) é de propriedade de sua autora e estão protegidos pela Lei de Direitos Autorais Nº 9.610 de 19 de fevereiro de 1998 e pelo Artigo 184 do Código Penal Brasileiro.

Agora é Lei - O Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa está em vigor desde 01/01/2016.
Para cursos "in company" sobre as alterações promovidas pelo Acordo Ortográfico, entre em contato pelo e-mail sandra.terciotti@gmail.com


sexta-feira, 29 de junho de 2012

Diferenças lexicais entre Brasil e Portugal


Por mais Acordos Ortográficos que se assinem, para unificar a ortografia das palavras, sempre existirão diferenças lexicais entre o Português falado e escrito no Brasil, em Portugal e nos demais países lusófonos. 

Isso é facilmente compreensível, quando nos lembramos de que, em um mesmo território nacional, há inúmeras diferenças lexicais de uma região para outra: os chamados regionalismos ou dialetismos vocabulares. Se isso ocorre dentro de um mesmo país, ocorrerá mais ainda entre países distintos que compartilham a mesma língua oficial. No Brasil, a mandioca, por exemplo, é chamada de aipim ou macaxeira, esta usada no Norte e Nordeste do país. Aliás, segundo o dicionário Houaiss, macaxeira tem origem na língua tupi maka’xera que significa “mandioca mansa”, ou seja, uma mandioca que não é venenosa.

Vejamos, então, algumas diferenças vocabulares existentes entre Brasil e Portugal que anotei quando de minha primeira ida a este país:

Adeus = tchau; até logo
Antecipação = liquidação
Autocarro = ônibus
Bifanas = bife em tiras que se come no pão ou fora dele
Bolo à fatia
Cafetaria
Camião = caminhão
Camisola = camisa
Casa da sorte = casa lotérica
Casa de banho = banheiro
Comboio = trem
Churrasqueira = churrascaria
Depósito = tanque de gasolina
Doçaria
Ecrã = tela de televisão ou computador
Elétrico = ônibus elétrico
Em venda = à venda
Equipa
Escola de condução = autoescola
Fabrico próprio
Gelateria = sorveteria
Grainha = semente de uva, de tomate etc.
Lavandaria
Leitaria
Lotaria
Montra = vitrine
Paragem = ponto de ônibus, táxi etc.
Peões = pedestres
Pequeno almoço = café da manhã
Pipis = filhote de galinha
Portagem = pedágio
Rato = “mouse” de computador
Registo = registro
Snack-bar = pequeno restaurante que serve comidas rápidas
Sandes = sanduíche
Sanita = vaso sanitário
Sítio = “site”
Sultana = passas
Sumo = suco
Tapete rolante = esteira rolante
Tartes = tortas
Terramoto
Travagem = freagem
T-shirt = camiseta

Se você conhece mais alguma, dê sua contribuição, para aumentarmos essa lista.

Um abraço e até a próxima.
Sandra Helena




segunda-feira, 4 de junho de 2012

Bacharela, comedianta e que tais


Se consultarmos o VOLP-Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, que é o acervo oficial de todas as palavras da nossa língua no Brasil, elaborado pela Academia Brasileira de Letras, encontraremos alguns dos femininos contestados atualmente. Há vários pertencentes ao léxico militar, como, por exemplo, sargenta, capitã, coronela, generala, marechala. No entanto, não há feminino de soldado, cabo, tenente, brigadeiro e almirante. A forma feminina almiranta aparece, no Houaiss, com o sentido de nau na qual viaja o almirante e, no Aurélio, com o sentido de esposa de almirante. Já soldada não é feminino de soldado, mas sim sinônimo de soldo, ou seja, de pagamento, remuneração. Daí as soldadeiras, mulheres que recebiam soldo por atos sexuais, tão citadas nas cantigas satíricas trovadorescas de escárnio e maldizer. 

Além desses femininos, também são encontrados no VOLP: árbitra, bacharela, clienta, comedianta, elefanta, giganta, hóspeda, infanta, mestra, monja, parenta, presidenta, serventa, entre outros.

Por mais estranho que nos pareça, se está no VOLP, integra, indiscutivelmente, o repertório de palavras existentes na Língua Portuguesa do Brasil.

Portanto, caso se depare com algum feminino que lhe pareça estranho, antes de se revoltar contra ele, consulte o VOLP, para verificar se ele faz parte ou não do léxico de nossa língua. Para consultar o VOLP, basta acessar  <http://www.academia.org.br/abl/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?sid=23>.

Um abraço e até a próxima!
Sandra Helena

Mais um caso de pronome relativo

Veja este trecho:

“Caso contrário, por favor, após quatro dias úteis verifique em nosso Site (...) a efetivação da alteração solicitada. Assim, você já poderá pedir uma nova assinatura eletrônica que a mesma será enviada para seu novo email.”

Esse trecho é parte de uma mensagem eletrônica automática enviada ao usuário que solicitou uma alteração cadastral no programa fidelidade de uma empresa.

O problema desse texto é o uso da expressão a mesma imediatamente após o pronome relativo que. Sabemos que a função do pronome relativo que (= o qual/a qual) é retomar o termo que se lhe antecede, no caso, uma nova assinatura. Por isso, bastaria que o redator da mensagem escrevesse

“ (...) Assim, você já poderá pedir uma nova assinatura eletrônica que [= a qual] será enviada para seu novo email.”

O uso da expressão a mesma não só tornou o texto confuso, mas também redundante.

Outro problema identificado nessa passagem é o uso de letra maiúscula no anglicismo site. Por que letra maiúscula, se não se trata de nome próprio?

Um abraço e até a próxima!
Sandra Helena