Todos os direitos reservados. Proibida a reprodução.

Todo o conteúdo deste blog (incluindo textos e imagens) é de propriedade de sua autora e estão protegidos pela Lei de Direitos Autorais Nº 9.610 de 19 de fevereiro de 1998 e pelo Artigo 184 do Código Penal Brasileiro.

Agora é Lei - O Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa está em vigor desde 01/01/2016.
Para cursos "in company" sobre as alterações promovidas pelo Acordo Ortográfico, entre em contato pelo e-mail sandra.terciotti@gmail.com


sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Uso da mesóclise

Você se lembra do que é mesóclise? É a colocação do pronome oblíquo átono - o(s), a(s), lo(s), la(s), no(s), na(s) e lhe(s) - no meio do verbo. E a mesóclise só pode ocorrer com os dois futuros do indicativo – futuro do presente e futuro do pretérito - , excetuando-se todos as demais formas verbais. Além disso, ela deve ser usada apenas e tão somente na escrita de textos formais, visto que seria impróprio seu uso na comunicação oral.
Há duas condições que precisam existir para que a mesóclise ocorra: a) a primeira é a presença dos dois futuros do indicativo; b) a segunda é que, se não houver antes dessas duas formas verbais alguma partícula (palavra ou expressão) que justifique o uso da próclise (colocação do pronome oblíquo átono antes do verbo),  em hipótese alguma o pronome oblíquo poderá ser empregado em posição de ênclise (colocação do pronome oblíquo átono depois do verbo). A despeito disso, em 05/12/2012, a versão eletrônica de um importante jornal de São Paulo apresentava o seguinte trecho:
“Depois, abriria-se um prazo para que quem se julgasse injustiçado por ter ficado de fora da universidade pudesse recorrer.”

Ora, abriria é futuro do pretérito do indicativo do verbo abrir. Considerando-se: a) que o verbo vem imediatamente após a vírgula e que  não se  usa pronome oblíquo átono logo após a vírgula; b) que não há nenhuma palavra ou expressão que chame a próclise; c) que não se pode usar ênclise com os dois futuros do indicativo, não restaria a quem escreve outra alternativa a não ser o uso da mesóclise. Portanto, o trecho deveria ficar assim:
“Depois, abrir-se-ia um prazo para que quem se julgasse injustiçado por ter ficado de fora da universidade pudesse recorrer.”


Um abraço e até a próxima.
Sandra Helena

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Pronome oblíquo mal empregado


Veja esta sentença:

“Os condôminos que encontrarem-se com suas cotas condominiais em atraso, não poderão participar e votar nas assembléias.”

Temos aí dois problemas. O primeiro diz respeito à colocação do pronome oblíquo se depois do verbo. Como o verbo encontrarem está no infinitivo flexionado, o pronome se deve vir antes e não depois dele. Além disso, esse verbo é antecedido de um pronome relativo o qual também pede a colocação do pronome se em posição proclítica.

O segundo problema é a presença do acento agudo em assembleia. O Acordo Ortográfico, em vigor desde 1º de janeiro de 2009, determina que as paroxítonas com ditongos abertos ei e oi não devem mais ser acentuadas. Embora tenhamos até 31 de dezembro de 2012 para adotar as novas regras ortográficas da Língua Portuguesa, a mídia impressa já as vem adotando desde que entraram em vigor. Por isso, seria bom já nos acostumarmos a elas.

Um abraço e até a próxima.
Sandra Helena

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Diferenças lexicais entre Brasil e Portugal


Por mais Acordos Ortográficos que se assinem, para unificar a ortografia das palavras, sempre existirão diferenças lexicais entre o Português falado e escrito no Brasil, em Portugal e nos demais países lusófonos. 

Isso é facilmente compreensível, quando nos lembramos de que, em um mesmo território nacional, há inúmeras diferenças lexicais de uma região para outra: os chamados regionalismos ou dialetismos vocabulares. Se isso ocorre dentro de um mesmo país, ocorrerá mais ainda entre países distintos que compartilham a mesma língua oficial. No Brasil, a mandioca, por exemplo, é chamada de aipim ou macaxeira, esta usada no Norte e Nordeste do país. Aliás, segundo o dicionário Houaiss, macaxeira tem origem na língua tupi maka’xera que significa “mandioca mansa”, ou seja, uma mandioca que não é venenosa.

Vejamos, então, algumas diferenças vocabulares existentes entre Brasil e Portugal que anotei quando de minha primeira ida a este país:

Adeus = tchau; até logo
Antecipação = liquidação
Autocarro = ônibus
Bifanas = bife em tiras que se come no pão ou fora dele
Bolo à fatia
Cafetaria
Camião = caminhão
Camisola = camisa
Casa da sorte = casa lotérica
Casa de banho = banheiro
Comboio = trem
Churrasqueira = churrascaria
Depósito = tanque de gasolina
Doçaria
Ecrã = tela de televisão ou computador
Elétrico = ônibus elétrico
Em venda = à venda
Equipa
Escola de condução = autoescola
Fabrico próprio
Gelateria = sorveteria
Grainha = semente de uva, de tomate etc.
Lavandaria
Leitaria
Lotaria
Montra = vitrine
Paragem = ponto de ônibus, táxi etc.
Peões = pedestres
Pequeno almoço = café da manhã
Pipis = filhote de galinha
Portagem = pedágio
Rato = “mouse” de computador
Registo = registro
Snack-bar = pequeno restaurante que serve comidas rápidas
Sandes = sanduíche
Sanita = vaso sanitário
Sítio = “site”
Sultana = passas
Sumo = suco
Tapete rolante = esteira rolante
Tartes = tortas
Terramoto
Travagem = freagem
T-shirt = camiseta

Se você conhece mais alguma, dê sua contribuição, para aumentarmos essa lista.

Um abraço e até a próxima.
Sandra Helena




segunda-feira, 4 de junho de 2012

Bacharela, comedianta e que tais


Se consultarmos o VOLP-Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, que é o acervo oficial de todas as palavras da nossa língua no Brasil, elaborado pela Academia Brasileira de Letras, encontraremos alguns dos femininos contestados atualmente. Há vários pertencentes ao léxico militar, como, por exemplo, sargenta, capitã, coronela, generala, marechala. No entanto, não há feminino de soldado, cabo, tenente, brigadeiro e almirante. A forma feminina almiranta aparece, no Houaiss, com o sentido de nau na qual viaja o almirante e, no Aurélio, com o sentido de esposa de almirante. Já soldada não é feminino de soldado, mas sim sinônimo de soldo, ou seja, de pagamento, remuneração. Daí as soldadeiras, mulheres que recebiam soldo por atos sexuais, tão citadas nas cantigas satíricas trovadorescas de escárnio e maldizer. 

Além desses femininos, também são encontrados no VOLP: árbitra, bacharela, clienta, comedianta, elefanta, giganta, hóspeda, infanta, mestra, monja, parenta, presidenta, serventa, entre outros.

Por mais estranho que nos pareça, se está no VOLP, integra, indiscutivelmente, o repertório de palavras existentes na Língua Portuguesa do Brasil.

Portanto, caso se depare com algum feminino que lhe pareça estranho, antes de se revoltar contra ele, consulte o VOLP, para verificar se ele faz parte ou não do léxico de nossa língua. Para consultar o VOLP, basta acessar  <http://www.academia.org.br/abl/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?sid=23>.

Um abraço e até a próxima!
Sandra Helena

Mais um caso de pronome relativo

Veja este trecho:

“Caso contrário, por favor, após quatro dias úteis verifique em nosso Site (...) a efetivação da alteração solicitada. Assim, você já poderá pedir uma nova assinatura eletrônica que a mesma será enviada para seu novo email.”

Esse trecho é parte de uma mensagem eletrônica automática enviada ao usuário que solicitou uma alteração cadastral no programa fidelidade de uma empresa.

O problema desse texto é o uso da expressão a mesma imediatamente após o pronome relativo que. Sabemos que a função do pronome relativo que (= o qual/a qual) é retomar o termo que se lhe antecede, no caso, uma nova assinatura. Por isso, bastaria que o redator da mensagem escrevesse

“ (...) Assim, você já poderá pedir uma nova assinatura eletrônica que [= a qual] será enviada para seu novo email.”

O uso da expressão a mesma não só tornou o texto confuso, mas também redundante.

Outro problema identificado nessa passagem é o uso de letra maiúscula no anglicismo site. Por que letra maiúscula, se não se trata de nome próprio?

Um abraço e até a próxima!
Sandra Helena

segunda-feira, 9 de abril de 2012

“Pérolas” das redes sociais

Segundo um de meus alunos, o texto abaixo está circulando entre os usuários de uma famosa rede social:
“O conhecimento não pode substituir a amizade. Eu prefiro ser um idiota à que te perder.”

Na segunda sentença dessa “pérola”, temos um problema de regência verbal. Embora na linguagem informal usemos a regência “preferir uma coisa do que outra”, a norma-padrão da língua portuguesa condena o uso dessa regência. Segundo a norma culta, a regência correta do verbo preferir, com o sentido de “escolher uma pessoa ou coisa entre outras”, é “prefir uma coisa a outra”. O verbo preferir é bitransitivo, ou seja, necessita de objeto direto e indireto. Além disso, preferir pede a preposição A. Por isso, a forma gramaticalmente correta é:
(...) Eu prefiro ser um idiota a te perder. [Sem crase, pois não se usa crase antes do pronome oblíquo átono “te”.]

Ainda assim, a “pérola” postada na rede social não tem sentido algum. Por que se deve preferir a amizade ao conhecimento, se não existe qualquer relação entre uma coisa e outra? E,  justamente por não serem equivalentes, a amizade não pode substituir o conhecimento nem este pode substituir aquela.

É pena que tantas pessoas prefiram ler as redes sociais a ler os clássicos da arte literária.

Um abraço e até a próxima.
Sandra Helena

Você sabe como se chama o símbolo “&”?

O símbolo “&”, usado frequentemente em nomes de empresas ou de casas comerciais, é um anglicismo, ou seja, tem origem na língua inglesa e se chama ampersand.

Na Língua Portuguesa, é chamado de “e comercial” justamente porque equivale à conjunção coordenativa aditiva “e”.

Um abraço e até a próxima.
Sandra Helena

quinta-feira, 15 de março de 2012

Ambiguidade causada por "o(a) mesmo(a)" ou "o(a) referido(a)"


Você já prestou atenção à placa afixada na porta dos elevadores? Ela é fruto da Lei nº 9.502/97. Nessa placa, consta a seguinte recomendação:

“Antes de entrar no elevador, verifique se o mesmo encontra-se parado neste andar.”

O problema dessa advertência está no uso de o mesmo que enfeia a mensagem e, em alguns casos, pode causar ambiguidade. Não se trata, portanto, de erro, mas sim uma questão de estilo. Veja como seria fácil resolver esse problema:

“Antes de entrar, verifique se o elevador encontra-se parado neste andar.”

Ou seja, para garantir a coesão entre a primeira e a segunda oração e melhorar a mensagem, bastaria retirar a expressão o mesmo e substituí-la pela palavra elevador. Assim, a recomendação que somos obrigados a ler sempre que estamos diante das portas de um elevador ficaria mais bem escrita.

Embora não seja o caso da placa do elevador, o uso de o(a) mesmo(a), além de enfear a mensagem, pode gerar ambiguidade, especialmente quando há mais de um elemento ao qual o mesmo pode se referir. Observe este exemplo que me foi enviado por um de meus alunos:

“Para que os proponentes possam captar recursos para os seus projetos usando os benefícios das leis de incentivo, é necessário que os mesmos sejam avaliados pelas comissões de análise de projetos.”

Nesse caso, não nos é possível afirmar se os mesmos se referem a proponentes ou a projetos. Afinal, as comissões deverão avaliar os proponentes ou os projetos, antes de liberar os recursos? Impossível saber!

Essa é a razão pela qual os estudiosos da língua portuguesa recomendam que expressões como o(a) mesmo(a) ou o(a) referido(a) não sejam empregadas na escrita.

Um abraço e até a próxima.

Sandra Helena

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Ambiguidade

Em uma matéria de 15/02/2012, publicada em um jornal de grande circulação na cidade de São Paulo, havia a seguinte passagem:

“Steve Jobs, cofundador da Apple que morreu no ano passado, chegou a criticar tablets de tela menor, dizendo que eram grandes demais para competir com um smartphone e pequenos demais para competir com o iPad.”

Temos aí dois problemas. O primeiro e mais importante é a ambiguidade causada pela distância entre o pronome relativo e seu antecedente (termo ao qual o pronome se refere). Da forma como está escrito, temos a impressão de que foi a Apple que morreu e não um de seus fundadores.

Para eliminar essa ambiguidade, basta fazer a seguinte alteração:

“Steve Jobs, que morreu no ano passado e foi cofundador da Apple, chegou a criticar tablets de tela menor, dizendo que eram grandes demais para competir com um smartphone e pequenos demais para competir com o iPad.”

O segundo problema diz respeito à ausência de itálico para destacar as duas palavras – tablets e smartphone - que não fazem parte do léxico da língua portuguesa. A menos que a palavra tenha sido aportuguesada, como ocorreu com estresse e tantas outras, precisamos fazer uso de itálico, quando digitarmos, ou aspas, quando manuscrevermos vocábulos de origem estrangeira.

Um abraço e até a próxima.

Sandra Helena

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

“A nível de” ou “ao nível de”?



Já se falou na televisão que um determinado jogador de futebol estava “com uma contusão a nível de joelho”. Nesse caso, o correto seria afirmar que o jogador estava “com uma contusão no joelho” e não “a nível de joelho”.

A expressão a nível de é um modismo horroroso que deve ser evitado. Pode ser substituída por em/no/na, como no exemplo acima; por locuções como de acordo com/relativamente a/no tocante a/com referência a/na esfera/no âmbito/na área (“A nível de economia, o país vai de vento em popa” por “Na área econômica, o país vai de vento em popa”); por um adjetivo (“Reunião a nível de gerência” por “Reunião gerencial”; “Resolução a nível de governo” por “Resolução governamental”); ou pode simplesmente ser suprimida em prol do português bem falado e bem escrito.

Ao nível de significa à mesma altura de/à altura de/no mesmo plano que, por isso, seu emprego na oração “Guarujá está ao nível do mar” está perfeitamente correto.

Um abraço e até a próxima.
Sandra Helena

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Qual é a abreviatura de “horas”?



Segundo o Quadro Geral de Unidades de Medida do INMETRO, de 2007, o símbolo ou a abreviatura para “hora” é apenas e tão somente h, com letra minúscula e sem ponto final, a menos que essa abreviatura venha em final de frase ou período. Exemplo:

O jantar normalmente é servido às 20h.

Nesse caso, o ponto que aparece imediatamente após o símbolo de horas corresponde ao sinal de pontuação (.) com que se encerra uma frase ou um período e não ao ponto que se usa logo após algumas abreviaturas.

Retomando nosso exemplo, caso o jantar tivesse sido servido às 20h30, poderíamos grafar as horas de duas formas:

O jantar normalmente é servido às 20h30.

Ou ainda:

O jantar normalmente é servido às 20h30min.

Também nesse caso, o ponto que aparece imediatamente após a abreviatura de “minuto” corresponde ao ponto final, já que, tal como ocorre em relação à “hora”, o símbolo que indica “minuto” (e mesmo o símbolo que indica “segundo”, que é apenas s) não deve vir acompanhado do ponto indicativo de abreviatura.

Não devemos, no entanto, usar dois pontos entre horas e minutos ou entre minutos e segundos, porque o uso de dois pontos corresponde ao sistema usado pela língua inglesa para separar horas, minutos e segundos (20:30:50) e não ao sistema da língua portuguesa.

Optemos, portanto, pelo nosso próprio sistema!

Um abraço e até a próxima.
Sandra Helena


terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Suicidar ou suicidar-se?



Embora o sui signifique de si e equivalha ao prefixo grego autós, o verbo suicidar-se sempre foi pronominal, ou seja, sempre fez-se acompanhar do pronome reflexivo se.

Para justificar a presença do pronome se em um verbo que já traz esse pronome em seu prefixo, José Maria da Costa, em seu Manual de Redação Profissional (2007), coloca duas citações de dois importantes estudiosos da língua portuguesa – Cândido de Figueiredo e Domingos Paschoal Cegalla –, citações essas que transcrevo abaixo:

“[...] em suicidar já consideramos de fato uma ação reflexa; mas como esse verbo, sem o pronome se, nunca existiu em português, pouco importam as nossas filosofias, e temos de aceitar os fatos incontestáveis da linguagem. Suicidar-se é fato corrente e constante nos vários períodos da nossa língua, e não temos que corrigi-lo. Aquela suposta redundância não é coisa insulada na história da língua.” [CF]

“a língua nem sempre se submete ao jugo da lógica.” [DPC]

Aliás, para confirmar a citação de Cegalla, basta nos lembrarmos de que, etimologicamente falando, o sentido do vocábulo caligrafia é boa letra, bom estilo e nem por isso é incorreto ou redundante falar ou escrever Ele tem um boa (ou bela) caligrafia, visto que se perdeu por completo o sentido etimológico dessa palavra.

Um abraço e até a próxima.
Sandra Helena

Mega-sena ou megassena?



Segundo as novas regras do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, em vigor no Brasil desde 1º de janeiro de 2009, o vocábulo megassena deveria ser grafado sem hífen e com dois s, já que, pela nova regra, as palavras cujo primeiro elemento termina em vogal e o segundo começa com s ou r devem perder o hífen e ter o s ou o r dobrados. No entanto, até hoje, os volantes disponíveis em todas as casas lotéricas do país continuam a apresentar a grafia antiga.

Embora saibamos que, no Brasil, teremos até 31 de dezembro de 2012 para adotarmos as novas regras do Acordo, já não é sem tempo de a grafia de megassena ser atualizada.

Um abraço e até a próxima.
Sandra Helena